domingo, 15 de fevereiro de 2009


Olá amigos, tudo bom? Trago novidades. A partir de agora esse blog não será mais atualizado. Contudo, não pararei de escrever. Apenas mudei o domínio de onde coloco meus trabalhos. Agora tenho um site, o novo endereço é: http://www.athosmoura.com
Todo o conteúdo deste blog foi transferido para o novo site. Então não esqueçam o novo endereço. Conto com a ajuda de todos nessa nova empreitada.


http://www.athosmoura.com
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Abraços!!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"CHIVETERAMA ONE ...IN A MILLION!"

O jornalista Ricardo Tibiu, vulgo Chiveta, lançou ontem, em comemoração ao primeiro aniversário do seu Blog, a coletânea virtual "Chivetarama one ...in a million!". Na compilação estão 16 bandas que agradam os ouvidos do querido repórter.

O Merda e o Leptospirose fizeram músicas exclusivas; já as bandas Take Me, Inkognitta, The Milk Fellas e Stronger Than Before contribuíram com músicas inéditas; o CPM 22 e o Polara estão presentes com sons ao vivo e para fechar as bandas De Leve, Los Muertos Vivientes, Clearview, Eu Serei A Hiena, Liberta e Zander disponibilizaram composições que foram lançadas recentemente. O trabalho é composto de uma mp3 de cada banda.

Ficou interessado? Ótimo! É só clicar aqui e se divertir. Agora não vá ser do contra. O donwload é gratuito. Não é porque é liberado que você não vai baixar, né?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PAY TO PLAY


Quando montamos uma banda o nosso maior desejo é fazer shows. Mas, novos e inexperientes não sabemos como fazer para que as pessoas nos escutem e nos chamem para tocar. Até pouco tempo atrás esses e essas jovens se relacionavam com outras pessoas do meio. Iam á shows e conversavam com a galera das bandas, trocavam demos, e-mail, telefone e tentavam juntos organizar algumas coisas. Esse era o verdadeiro DO IT YOURSELF, todos já ouviram esse bordão. E com toda a certeza a maioria das garotas e garotos "envolvidos" com a cena hoje não sabem o seu verdadeiro significado.

Ter uma banda está muito mais fácil. É possível gravar as músicas em casa, ensaiar por preço justo, parcelar os equipamentos em milhares de vezes, no melhor estilo das prestações das Casas Bahia. Mas, nada são flores. Quando um lado afrouxa o outro aperta. No Rio de Janeiro, minha cidade, há 10 anos atrás tínhamos muito mais locais para shows do que atualmente. Uma série de motivos fez com que eles fossem fechando e ficássemos cada vez mais carentes.

O cenário atual é que temos poucas casas e muitos produtores que tomaram conta dos picos e literalmente exploram as bandas. Mas eles só exploram porque há quem se deixe manipular. Não sei o verdadeiro motivo das pessoas se submeteram a tais situações. Acredito que seja arrogância, por não querer ouvir e entender a história de quem passou, e também por pura burrice mesmo. O simples fato de ter preguiça de pensar e realizar.

Poucos são os eventos em que as bandas não precisam pagar para tocar. Esses eventos em que as bandas pagam estão perdendo qualidade a cada dia que passa. O único critério de avaliação para as bandas tocarem, é quem depositou a quantia estipulada primeiro.

Entenda o esquema proposto por esses "produtores". Eles chamam uma banda qualquer que esteja com força no cenário, pagam cachê, hotel, tudo conforme o rider. Em contra partida as bandas de abertura são convidadas a participar, mas claro, antes escutam uma história triste ou não, o que é pior, e pagam para tocar junto com essas bandas, que muito das vezes eles são fãs.

Tal é a falta de honestidade e a ingenuidade ou burrice que esquecem de fazer contas e entenderem em que buraco estão se metendo. Vamos criar uma situação. Um produtor X chama a banda A para tocar no seu evento. O valor do cachê, transporte, hospedagem e alimentação gira em torno de R$3 mil. O aluguel do local do show e o som custam cerca de R$1500. Vamos acrescentar um custo de R$500 para divulgação e pessoal para trabalhar no show. Somando tudo o produtor tem um custo de R$5 mil. Então, ele resolve chamar cerca de 12 bandas de abertura, todas elas pagando R$500, o que se tornam R$6 mil e ainda fica com o valor das entradas. Para não parecer tão injusto ele entrega alguns convites para as bandas. Resumindo, as bandas pagam à banda principal, garante uma margem de lucro para o produtor e ESTÃO PAGANDO PARA SE APRESENTAR.

Sempre que converso com pessoas de qualquer parte do Brasil sobre esse assunto, escuto sempre a mesma história. Isso está se tornando uma rotina e as pessoas estão cada vez compactuando com isso. Por esse motivo que bandas de fora não se apresentam na sua cidade. É por isso que cada vez mais as bandas novas estão piores. A moçada está se preocupando com a fama, ao invés do som. Antes uma banda tocava porque era boa. Agora toca porque tem grana.

Chamo isso de burrice pelo fato de que seria mais honesto com você, com sua banda e com sua cena, caso você mesmo, membro de alguma banda tivesse realizado esse evento. O dinheiro que você gasta colocando no bolso de algum oportunista poderia movimentar melhor a sua cena, ou seja, ajudar sua banda e de seus amigos. Os shows não seriam insuportáveis com milhões de bandas. E muito mais do que isso. SERIA HONESTO.

Vale lembrar aqui o seguinte. Nem todos os produtores são assim. Muita gente se envolve de verdade com a cena e realizam ótimos eventos, onde praticas assim não são nem cogitadas. Por favor, se espelhem nas pessoas certas.

PS: Quem puder, por favor, passem esse texto para todos os amigos. Principalmente para a moçada com bandas novas.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A VERDADE SOBRE O FIM DO ENTRE AMIGOS II


Há alguns dias atrás estive no Espírito Santo á passeio. Fui à cidade de Vila Velha, berço do Mukeka di Rato. Entre um rolé na praia, show das bandas locais Chico Noise, Carnaval e Guitarria, e depois, um pulo em Vitória para ver a banda Lady Laura detonando o seu punk rock glamuroso. Descobri a verdade sobre o Entre Amigos.

Foi impossível não recordar a última vez que estive na cidade, em novembro de 2006. Na época fui para fazer um show com o Ataque Periférico. Tocamos em uma casa chamada Entre Amigos II, em Itaparica. Senão me engano tocamos no último ou penúltimo show da casa. Rolavam muitos boatos na época sobre o fechamento do local. O mais forte era de que o lugar iria ser demolido e um prédio iria ser construído no terreno. O Entre Amigos ficava na frente da praia.

O lugar era o pico que movimentava a cena hardcore de Vila Velha. Foi lá, um dos shows mais legais que já fiz. A escalação das bandas foi uma das melhores que já vi até hoje. As bandas capixabas Chuck Norris (hoje Chico Noise) e Dzespero, abriram a noite, em seguida os cariocas do Norte Cartel e nós do Ataque Periférico, e para fechar vieram o DFC e Mukeka di Rato, em uma apresentação épica. Foi o primeiro show na cidade depois que o vocalista Sandro voltou para a banda.




Pois bem, no meu último dia em Vila Velha resolvi ir até o final da praia de Itaparica para ver o que tinha acontecido com o pico. Para minha surpresa o local ainda estava lá. A estrutura era mais ou menos a mesma, só que virou um restaurante e não um prédio como os rumores diziam.


Não me contive e fui almoçar no agora, Restaurante Maná. Em poucos minutos lá dentro já avistei Zequinha, dono do Entre Amigos. Após almoçar fui conversar com ele e descobri toda a verdade sobre o fim do local de shows mais famoso da cidade. Ele me contou que comprou a casa há 10 anos e desde o início a sua ideia era fazer um restaurante. No entanto o lugar era desconhecido e desabitado. Resolveu então abrir o lugar como lanchonete e deixou que os shows rolassem. Mas, quando os prédios começaram a ser construídos em volta da casa decidiu que era hora de iniciar o projeto inicial.

E assim, lá se foi o Entre Amigos II e surgiu o Restaurante Maná. Todas as pessoas de Vila Velha que eu conheço morrem de saudades do Entre Amigos. Hoje os shows estão rolando em um outro bar, também na frente da praia, mas em Itapoã, no Águia Marcante. Tomara que o pico permaneça e ótimos shows voltem a rolar na terrinha.


sábado, 7 de fevereiro de 2009

Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish


Nesta última semana estive por São Paulo. Lá, me encontrei com o vocalista da banda Dead Fish, Rodrigo Lima. Conversamos sobre o novo CD da banda, Contra Todos, que chega ás lojas na próxima terça-feira, dia 10. Também falamos sobre a saída do baterista e fundador da banda, Nô. E muitas outras coisas. Confira abaixo a entrevista exclusiva.




Novo CD na praça, Contra Todos. O que os fãs podem esperar dele? Aquela pegada do Dead Fish antigo que os fãs sentiram falta no último, Um Homem Só?

Cara, eu não sei. Eu não gosto muito de dar conselho para as pessoas. Eu acho que a gente teve muito prazer em fazer esse CD. Foi um CD em um ano muito difícil, mas foi um CD prazeroso. Eu acho que ele teve a vibe do Sonho Médio, mas talvez não seja o Sonho Médio. Eu acho que o Sonho Médio era em uma idade diferente, em um tempo de idéias diferentes, a gente acreditava em coisas diferente. Eu não sei se vai ser um substituto do Sonho Médio. Mas ele tem o prazer de gravado do Sonho Médio, entendeu?


E como foi a experiência de compor músicas com apenas uma guitarra. As músicas do novo disco vão estar mais simples por causa disso?

Eu gosto do ganho de simplicidade que a gente teve no Contra Todos, justamente por ser um integrante só o cara que fez as guitarras. Apesar de ser um cara taradão, um cara que gosta de faze arranjo, com uma guitarra só a gente conseguiu dialogar muito melhor a banda internamente, entendeu? E eu acho que a gente ganha em peso também. Talvez esse seja o CD mais pesado, nosso. Até mais que o Zero e Um.


Contra Todos tem uma música em inglês. Tinha tempo que vocês não lançavam músicas sem ser em português.

É, na verdade a música é inglês porque a placa que a gente viu lá em Recife que era Shark Attack, em inglês. Ai quando todo mundo chegou pra tomar banho de mar e viu a placa, assim, na minha cabeça de primeira veio a idéia de fazer uma letra em inglês, entendeu? Foi natural, bem tranqüilo.




E como estão as letras do novo CD? Letras ótimas e reflexivas sempre foram características da banda.

Eu acho que as letras são mais diretas. Eu que sou o cara que faz a maioria das letras, eu não quero ser tão subjetivo. Eu acho que as coisas têm que estar mais na cara, assim. Todo mundo sabe o que está acontecendo, todo mundo sabe quem os filhos da puta do mundo e quem são os gente fina, entendeu? É bem óbvio isso. Então eu acho que é mais ou menos nessa linha que a gente segue, com simplicidade. Mas sem ser aquela coisa, eu não gosto de usar a palavra panfletária porque eu acho a coisa panfletária divertida. Mas é do indivíduo pro mundo, entendeu? Não partido do mundo para o indivíduo, entendeu? Eu só consigo hoje, escrever, partindo de mim, me tendo como exemplo, você como exemplo, alguém mais próximo como exemplo. Se for pra falar da fome no mundo eu prefiro falar da minha fome, da sua fome. Eu acho que é mais ou menos por aí.


Com o passar dos álbuns a banda sempre está mudando ou perdendo um integrante. Como vocês trabalharam isso para que a banda não perdesse sua identidade?

Todo mundo está perguntando isso, cara. Provavelmente a banda perde bastante de identidade agora com a saída do Nô. Ele vai fazer falta, é nítido e todo mundo sabe disso. Eu sinto isso, mas a coisa da gente ter convidado um cara mais velho e um cara que já conhecia a banda, justamente, vem pra tentar suprir. Eu não sei se isso vai acontecer ou não. A gente vai tentar suprir a nossa identidade em tudo que a gente construiu nesses anos. Ou de repente deixar alguma coisa para trás, sabe? Dentro do Dead Fish a gente sempre pensa assim, temos que fazer alguma coisa diferente pra agradar a gente e não pra agradar fulano ou cicrano. A gente tem que estar, internamente, gostando do que a gente faz. Agora com a saída do Nô existe uma boa possibilidade das coisas mudarem bastante sonoramente.


Depois desse tempo todo tocando, no ano passado, a banda, e você principalmente, passaram talvez pelo momento mais difícil da história do Dead Fish que foi a saída do Nô. Como foi o momento em que a ficha caiu e você percebeu que um dos fundadores da banda estava fora?

Eu acho que não caiu a ficha ainda. Eu fiz poucos shows com o Marcão. Eu gosto do Marcão, mas eu olho pra trás e ainda não posso cuspir. Esse é o meu sentimento. Então eu ainda sinto uma certa dor de barriga de vez em quando. Cara, eu acho que a gente fez escolhas, e agente procurou fazer escolhas pra se manter amigo, pra não virar um negócio. Já que a gente em parte está em um negócio, a gente está em uma gravadora e querendo ou não a gente é tratado como produto até certo modo. Eu acho que internamente a coisa não podia ficar um negócio. Então, a gente resolveu fazer escolhas e essas escolhas foram duras. Mas eu acho que a médio e longo prazo, isso vai ser bom pra todo mundo, inclusive pro Nô. A gente vai conseguir ter uma amizade, a gente vai conseguir rir de algumas coisas. Talvez ele vá ter uma mágoa durante muito tempo, de mim principalmente que foi o cara que fundou a banda com ele. Mas do jeito que estava não podia acontecer. As outras pessoas que saíram da banda eram pessoas que; na primeira formação os caras não quiseram voltar pra banda. Foi muito triste, foi muito chato. Na segunda formação eram caras que não eram, mas a gente se tornou amigos, mas não era uma coisa de raiz de ter se conhecido no colégio. Era mais ou menos isso, por isso que foi mais marcante essa coisa do cara sair. É mais marcante.

Falando no Marcão, pra vocês da banda, como está sendo tocar com ele? Por que quem conhece um pouco mais de música vê que ele é mais talentoso que o Nô.

Eu não acho que a questão é talento. Eu acho que a questão é técnica. Eu gostava da pegada do Nô, da forma punk que ele tinha de tocar. Ele tocava forte. E o Marcão é um cara que toca quase tão forte quanto o Nô. Eu acho difícil alguém tocar com o braço tão forte quanto do Nô. Mas ele é um reloginho. Ás vezes a gente tá tocando e eu estranho. Eu acho estranho e falo, pô, tem alguma coisa errada. A música começou em um tempo e está terminando no mesmo tempo, assim, ás vezes é até meio chato, sabe? Ele é um metronominho, e as vezes é estranho, entendeu? Mas ele é um cara talentoso pra caralho. É um cara que acrescenta muito.

Ele também toca no Ação Direta. Uma banda que tem uma agenda regular de shows. Isso vai fazer com que a quantidade de shows do Dead Fish diminua? Como vão administrar isso?

A gente vai ter que administrar Zander Blues, que é do Phillipe, Acão Direta, que é do Marcão e o 88 Não!, que é do Nego, do Allyand. Só eu, idiota que não fiz uma banda de projeto ainda. Mas eu acho que a gente consegue administrar isso numa boa. O Allyand que está fechando os shows, ele sempre dá um mês, um mês e meio de antecedência e fala pros caras, tem show tal dia e vê seu lado aí com a banda. O Zander vai abrir uns shows em março, provavelmente a gente vá fazer uns shows com o Ação Direta e o 88 Não! no decorrer do ano. Mas é tranquilo.



O Dead Fish este ano completa 18 anos e é uma banda mais velha do que muito dos seus fãs. Você acredita que essa renovação acontece por que motivo?

Eu respondi esses dias para um conhecido meu que também fez uma entrevista comigo, que eu não consigo explicar muito isso. Como o Dead Fish consegue se renovar ciclicamente e ter sempre uma molecada mais nova nos shows. Por exemplo, você não vê tanto nego velho no show. Quando você vê eles estão nos cantos, nos lugares pequenos. É impressionante, passa um ano, passa o outro ano e eu falo, cara, agora fodeu, a gente vai ter menos público. As pessoas vão conhecer menos o Dead Fish. A gente é uma banda velha, mal-humorada, com uns tipos feios no palco. Isso já não faz tanto sucesso com a gurizada, entendeu? Eu não consigo explicar. Muita gente acha que é por causa de como a gente procede no palco e também por a gente nunca querer falar pra um tipo de gente só. A gente tem uma banda de hardcore, mas a gente sempre tocou com todos os estilo. Eu acho que isso faz diferença também.

E o Projeto Peixe Morto? Li em uma entrevista que talvez vocês voltem para alguns shows.

Cara, eu gostaria de fazer o projeto, mas tenho que perguntar antes pro Nô o que ele quer.

E qual seria a formação da banda? As músicas foram gravadas depois do Afasia e a formação do Dead Fish mudou.

É, só ficou eu e o Allyand. Cara, eu acho que isso vai ficar por conta do Allyand. Ele que vai chegar e conversar com as pessoas e ver o que queremos fazer. Eu não quero que o projeto peixe morto fosse hardcore de novo. Eu queria que fosse um CD que agradasse a gente de outra forma, se é que a gente vai fazer alguma coisa de outra forma. Talvez fazer alguma coisa com dubby, eletrônico, não sei. Que fosse um projeto, entendeu?

O Dead Fish continua com a postura de não tocar em eventos em que as bandas pagam para tocar? Já é uma rotina isso. Os produtores cobrarem das bandas novas. E cobrarem muito dinheiro.

É cara, essa é a cagada que a nossa geração deve sentir mais dor nos finqueters. Porque a gente batalhou por muito tempo pra ter um espaço. Um pequeno espaço para que todos pudessem usufruir. Apesar de alguns não poderem usufruir tanto com tanta regularidade, mas era para todos. E acontece que uma meia dúzia começou a tomar conta de certos espaços que existem. Acabou virando um grande jogo de mercado. Eu não sei se a culpa é nossa, se ela não é nossa. Eu acho que essa molecada está muito equivocada. Eles não olham pras coisas que aconteceram antes. Pra tudo que os mais velhos passaram. É até uma falta de respeito pelos caras que passaram, com as bandas que passaram, com as bandas de gente talentosíssima que esteve aí e passaram. Acabaram não sendo vistas. E isso de usar a banda como investimento, como se existisse um banco para desenvolvimento, sabe? É um negócio meio estranho. Agora, quanto aos shows eles diminuíram muito. Mas, foda-se. Foda-se! Eu não dou a mínima. que eu zelei a minha vida inteira foi por ter espaço e que esse espaço fosse para todos. Se não for desse jeito, sei lá, vou arrumar um emprego. Foda-se! Eu não vou tocar em uns eventos assim. A gente descobriu várias vezes que a gente tocou em eventos que os produtores cobraram das bandas. Isso foi extremamente constrangedor para gente. Eu lembro que quando a Allyand chegou para reclamar com um dos produtores, o Allyand é muito educado. Quem tinha que ter sido produtor era o Nô que é grosso pra caralho. O Allyand chegou pra reclamar do cara e o cara chegou e disse que os eventos de hoje são assim. Se não topássemos tocar a gente estaria cometendo um suicídio musical. Aí eu falei assim, cara, então nos matemos. Eu não posso compactuar com isso. Não é honesto, não é justo.




O Dead Fish é de uma geração que sempre lutou bastante pelo underground. Como que é viver de underground no Brasil? Viver da banda.

As pessoas no Brasil não tem a mentalidade de que elas tem direito de pelo menos tentar viver do que elas querem. Eu já estive lá fora e vi qual é a realidade das bandas lá fora. As realidades das bandas lá fora são parecidas, só que é diferente. Você corre atrás e bota a cara, faz turnês longas, como o Confronto, por exemplo. Você consegue fazer algum dinheiro e você consegue viver modestamente daquilo que você quer, que é a música. Mas aqui não. Ou você é fodido pagando pra tocar ou você é o funcionário do Rick Bonnadio. Você não tem um meio termo pra isso. Você não cria uma rede. Aliás, a gente tentou criar uma rede. Existe a Abrafin, existe um monte de produtor bem intencionado Brasil afora que ás vezes perdem por chegar um cara junto na mesma localidade que ele que vai cobrar das bandas e ele não vai ser levado a sério. Porque é coisa menor. Essas coisas todas, sacou?

Em 2007 vocês tiveram a oportunidade de excursionar pela Europa. Como foi ter a experiência de tocar para outra cultura, fazer shows todos os dias e constatar as diferenças dos underground’s gringo e brasileiro?

Cara, a diferença musicalmente é pouca. Tem banda ruim, tem banda boa, tem banda excelente, tem banda de ótimos músicos e chata, tem banda de músicos de merda e boas. A diferença é a estrutura. Eu não sei. Eu não fui a muitos países da Europa. Dizem que na Espanha é uma porcaria, na Itália é uma porcaria. Mas na Alemanha e na República Tcheca, eles têm uma estrutura mínima. Eles fazem uma agenda pra você com dois ou três meses de antecedência, eles agilizam tudo. Perguntam o que você quer de backline. Não é um luxo isso. Você ter um equipamento mínimo pra você fazer o seu show. Não é o backline do Michael Jackson, não é o backline do Kiss e nem do Aerosmith. É um bakcline. E isso faz uma diferença extrema. Os caras falam assim, a gente tem isso pra vocês, X. E chega lá está X feito. Eu fiz uma sacanagem. Lá tem o Catering. Nunca me perguntaram no Brasil o que eu queria comer no show. E os caras de um Squat no meio da Alemanha Oriental Comunista dava tudo o que eu pedia. Inclusive no meio do catering eu disse que queria uma marca de chinapse da marca tal. Eu olhei uma marca alemã qualquer. E em todos os shows estavam a garrafa de chinapse, cara. É uma exigência babaca e falei isso eles não vão me dar. E foram lá e me deram. Não era difícil pra eles. Custava cinco euros e estava lá. Essa é a diferença.

Sei do interesse de vocês em tocar pela América do sul. Vai rolar com a turnê do Contra Todos?

Cara, tomara. Porque já se vão sete anos de convites. Desde quando eu morava em Vitória eu tenho contatos no Chile, na Argentina, no Uruguai, Colômbia e até hoje nada. A gente é muito lerdo, cara. O bandinha do caralho de lerdo.



Muita gente critica o fato da banda fazer parte de uma gravadora e não entende que o underground também precisa se profissionalizar. O que mudou pra melhor e pra pior quando o Dead Fish se envolveu com a DeckDisk?

Deixa eu abrir um parênteses aqui. Eu acho que o argumento do underground, muitas vezes é usado para encobrir incompetência, pra encobrir má fé, sacou? E falta de responsabilidade. EU vi isso durante 17 anos no meu país. Po, vocês estão querendo água no camarim, po, vocês já foram underground. Porra brother, não fode, saca? Underground não é sinônimo de eu foder você, sacou? A cena independente não é sinônimo de eu só ganho. É pra todo mundo. Se não for pra todo mundo não é uma cena. Agora, foi muito engraçado quando a gente foi acusado, quando a gente entrou na Deck e eu não vi as pessoas acusaram o Ratos de Porão, o Cólera e nem o Mukeka Di Rato. Eu tenho orgulho de estar na gravadora dos caras. Até porque eu enchi o saco muitas vezes do João Augusto e do Rafael falando sobre o Mukeka, falando dos Pedrero, falando da puta que pariu, entendeu? Eu não sei cara. Eu acho que, uma coisa que eu aprendi com o Nô. Inclusive eu falei isso até em outra entrevista. A gente aprende a interpretar sentimentos por trás de palavras. Quando a gente foi muito questionado sobre a gente ter entrado na Deck. A gente sempre foi uma banda muito independente. Eu lembro quando a gente gravou o Sirva-se!, nego chamou a gente de traidor do movimento da fita K7, do movimento Demo Tape. Ai quando a gente resolveu, porque era a única forma da gente se manter como banda, senti um certo, não sei se é certo dizer isso. Mas eu senti um ciúme no ar. Porque muita gente tentou, tentou e a gente disse não umas duas vezes. E quando tentaram a terceira a gente disse beleza. Rolou um certo ciúme, não sei. Eu não consigo interpretar bem. Teria que perguntar pro Nô. Porque o Nô é um bom interprete de sentimentos por trás de palavras. Mas eu acho que profissionalmente a gente aprendeu muito. Vendo as coisas grandes acontecerem, vendo a indústria acabando. Porque quando a gente entrou a indústria estava com meio barco dentro d'agua. Agora ela está só com a velinha de fora, entendeu? Então, a gente foi vendo isso acontecer e foi muito legal a gente ter visto isto internamente. A gente vê que muita coisa no Brasil que se diz profissional, que se diz democrática, não passa de um loby. Você tem os contatos, vê com quem é mais bem relacionado e consegue fazer mais as coisas. Nada justo. Isso acontece muito. Na economia de mercado eu acho que é mais ou menos assim. Mas no Brasil isso é mais potencializado. Eu acho que nossa herança latina, sei lá, nossa herança portuguesa.

O que passa na sua cabeça, quando você lembra do tempo em que montou o Dead Fish com um grupo de amigos que curtia andar de skate até hoje vendo que o trabalho deu certo e que vocês são uma das bandas de hardcore mais amadas do país.

Cara, eu acho que é o que me move ainda. É estar em uma coisa que eu comecei, que eu falei, eu quero isso pra minha vida. Quer dizer, eu quero me divertir com isso, começou comigo querendo me divertir com isso. Eu quero estar com meus amigos. Depois eu quero aprender isso. E quero isso pra minha vida. E o que me move é ouvir um cara que eu conheci há 17 anos me falar, cara você construiu uma carreira em um cenário independente em um país como o Brasil. Não vou me vangloriar disso. Mas meus amigos antigos falam, cara, você conseguiu fazer o impossível. Sem mudar. Sem flexionar a sua espinha. Cara, eu entrei em uma gravadora. Passei a ganhar menos em venda de CD. Tudo bem, eu abri mão disso. Mas também eu não deixei de abrir mão de falar do que eu queria. Então, o que me move é isso. É ver um moleque que me parou na rua. Eu odeio que os moleques me parem na rua. Sou muito bravo, sou muito mal educado ás vezes. Mas o moleque me parou na rua e falou assim, Rodrigo, e aí, tranquilo? Cara, eu tenho 19 anos. Eu comecei a ouvir você porque o meu tio que tem vinte e tal me mostrou e eu piro no seu trabalho desde então. Eu tinha oito anos. Hoje eu tenho 19. É a única coisa que me move de estar em uma banda. E de estar com os amigos, né cara? Eu espero que a gente consigo ainda manter o clima de amizade e não ser só profissionalismo, espero.

Obrigado e peça pra galera comprar o cd e não baixar em MP3.

Não cara, baixa aí. Se você não tem grana você baixa. O CD Contra Todos agora está bonitão, lindão, de digipack. Todo bonitinho. E provavelmente vai sair vinil. Então, baixa lá. Se você gostar, compra. Você continua ajudando a banda comprando o CD e baixando também.

Fotos do show: Maurício Santana - http://www.flickr.com/photos/tuxhc
Foto de divulgação: Luringa - http://www.flickr.com/photos/luringa
Foto abertura: Athos Moura - http://www.fotolog.com/athosmoura

Para os preguiçosos que não gostam de ler, eu disponibilizei o áudio da entrevista para download. Quem quiser baixar é só clica neste link: http://www.4shared.com/file/85011780/986d643f/Entrev1_Rodrigo_DF.html

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Leptospirose - Mula Poney

Depois de um full length e um split, o Leptospirose, de Bragança Paulista, lançou o seu novo CD, Mula Poney. A turnê de divulgação começou há alguns meses e já fizeram bons shows pelo nordeste.
Essa é a banda de hardcore com os melhores músicos do país. Velhote, o baixista, já tocou com grandes nomes do forró, com Elba Ramalho, Dominguinhos e Trio Virgulino. Ele é um baixista que não encontramos há tempos. Para mim ele supera Matt Freeman do Rancid, devido à velocidade das músicas do Leptos e a complexidade que ele impõe nas quatro cordas. Para os jovens que gostam de referências, ele é uma ótima, e o melhor, é influência nacional.
Vamos voltar ao Mula Poney. O disco foi gravado no Rio de Janeiro, no Estúdio Tambor, e produzido por Rafael Ramos da Deckdisk. As músicas são barulhos o tempo inteiro, porém, um barulho audível. É possível compreender cada nota executada.
As canções vão de influências como Dead Kennedys à Motorhead, colocadas em uma sequência que faz com que não percebamos quando as músicas mudaram. Mas sabemos que a faixa mudou. Todas elas são emendadas com maestria.
Outros destaques para o Mula Poney, além da boa gravação e execução, são a irreverência e sarcasmo das letras e nome das músicas. A arte gráfica ficou na responsabilidade de Daniel ET, do Muzzarelas, que fez um ótimo trabalho.
Dicas sobre o Leptospirose. O disco Invernada. Não tem a mesma qualidade do Mula, mas vale a pena ouvir e ter. O split Lecker, que lançaram com o Merda. Com esse split fizeram uma turnê na Europa. Tour essa que a primeira vista foi um fiasco, por causa do acidente. Contudo, levando em consideração tudo o que conseguiram pós-tour, podemos dizer que foi um sucesso.
O vocalista e guitarrista da banda, Quique Bronw, escreveu o livro Guitarra e Ossos Quebrados. Contando as histórias da tour da Leptos e Merda pela Europa. Ele ainda é dono, junto com Velhote, da Escola de Música Jardim Elétrico, em Bragança Paulista.

Para ouvir o Leptospirose: http://www.myspace.com/leptospirose

Para ver o Leptospirose: http://www.fotolog.com/leptospirose


Para saber sobre a escola Jardim Elétrico: http://www.fotolog.com/escolaeletrica ou escolajardimeletrico@gmail.com

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Merda - O Jogo dos Jovens

Sabe aquela banda de música rock, chamada Merda!? Isso, aquela que bateu a van na Europa, quase não faz shows, lança cd's semestralmente. Então, eles agora resolveram entrar para o ramo dos games e estão desafiando a Nintendo e tentam acabar com a febre do Play Station. Saiu, pela Laja Rekords, o jogo, Merda - O Jogo dos Jovens.
O jogo é composto por três fases, Cidade, Coqueiral e Inferno. Você é um cachorro vira-latas, magricelo e cheio e perebas. Para piorar você ainda é rosa. Seu objetivo é derrotar o príncipe Gi-Lili que é amiguinho de Satanás. Juntos, eles pretendem espalhar a maldição emo pela Terra.
O tutotial do jogo é apresentado por um homem fumando, bebendo cachaça, com o escudo do Flamengo no peito e de cavanhaque. Esse é homem é Jesus Cristo. Você é recomendado a pegar todas as Coca-Colas que aparecem na sua frente, pois, pasmem, ela é sua vida. Tome todaS as pingas que aparecerem. Ela produzirá a sua arma. Você mata seus inimigos com vômito. Caso a situação fique feia não pense duas vezes em chamar o amigo Speck. Ele é sinistro, pega um pega geral.
Na primeira fase, a Cidade, logo de cara um policial dá tiros de fuzil em você, um sambista joga seu pandeiro em sua direção, e tome cuidado, porque a porra do bandeiro volta e um certo Burzum Marley tenta te matar com baforada de Maconha. O chefão dessa fase é o Porco Policial, que vira um espécie de Super Saidin, quando leva uma mijada de um rato.
A fase seguinte é, Coqueiral. O nosso cachorrinho sai da cidade e vai para praia. Dessa vez os inimigos mudam. Agora nosso herói enfrenta um vendedor ambulante que joga coxinhas de galinha, um surfista que lança sua prancha e um pivete que fica soltando pipa. Cuidado! A maré sobe e você pode morrer afogado.
Para passar da fase é necessário matar a chefona do pedaço. Um mosquito da dengue pica a virgem mundialmente conhecida, Sandy, e ela vira Amy Winehouse. A arma da heroína (droga) girl são seus peitos moles e elásticos e um vômito podre que pula. Essa é a pior vilã de qualquer game que eu tenha jogado.
A última fase é o Inferno. O pobre cachorrinho enfrenta o perigoso Gi-Lili, o príncipe, também integrante do Nx Zero. O que acontece nessa fase eu não sei. Ainda não consegui passar pela Amy. Quem conseguir, por favor, me conte. Ah, e só pra terminar. Quando você morre, Jesus te zoa.
Abaixo, uma pequena conversa com Fábio Mozine. Dono da Laja Rekords e uma das mentes desocupadas que criou o jogo.



Bandas lançam discos, porque lançar um jogo?
Tive esse ideia originalmetne junto com meu amigo Binho Miranda, o mesmo que tirou as fotos do livro do Brown e esta editando o vídeo da tour do Merda e Leptospirose na Europa. Quando do nada, surgiu um rapaz de São Paulo, chamado Mobral, bom nome. Ele me falou que queria fazer um jogo do Merda. Eu falei pra ele que já estava com essa ideia junto com outra pessoa, mas pedi pra ele me mandar o que tinha em mente. Quando ele me mandou o desenho do cachorrinho eu pedi pra ele continuar na hora. Ele já tinha bastante coisa escrita, ai ficamos em cima criando essas historinhas podres e acabou que saiu até bem antes do que a gente esperava, quem jogou até agora gostou. A ideia de continuar fazendo outros jogos esta de pé e já tem uns 5 novos pra serem feitos, todos de bandas por enquanto, e no futuro talvez outros sem ser de banda.

Como surgiu a ideia mirabolante de criar o Merda - O Jogo de Jovens?
O mobral já tinha algumas ideias no papel e passei outras e fomos agrupando, mexendo no som, mudando, testando, consertando alguns erros que fomos encontrando quando iamos jogando, melhorando outras paradas e deu nisso.

O que pretendem com o jogo? Virar novos Bill Gates?
A primeira parte da nossa missão foi cumprida, que era fazer algo pra gente se divertir e divertir nossos amigos. Assim como 90% das coisas que faço na Laja. Agora vem a segunda parte, que é essa mesmo, ganhar dinheiro. Vamos correr atras de pai-trocinadores pra bancar os jogos no site. E caso não encontremos esses patrocinadores, tudo bem, os jogos vão continuar sendo feitos sem patro mesmo.

Vem mais jogos por aí? Talvez o Merda Guitar Hero?
Você acabou de nos dar uma boa ideia, obrigado. Vale lembrar que não será pago por ela, okay?

Os chefes das fases foram criados inspirados em alguém ou foi mera coincidência?
O porco policial é o porco policial né, hehe. A Amy é minha amante, a mulher dos meus pesadelos. o Gi-Lili, chefe máximo no final, representa o lixo musical que tanto amamos! Ah, vendi esses dias 2 cds do nxzero, porra, essa porra vende mesmo.

Por que o herói é um cachorro magricelo perebento? É uma alusão a alhum integrante da banda?
Aquele cachorrinho se chama "cachorrinho" é tipo um logotipo da banda e sempre aparece em encartes e cds do Merda, desde o primeiro lançamento. Cachorrinho é um heroi.

Agora vamos falar sério. Como foi feito o processo de criação do jogo?
Acho que até ja expliquei um pouco isso né. O Mobral já tinha alguma coisa em mente, ele me passou tudo que tinha, eu dei algumas sugestões, algumas imposições, hehe. Mas a gente se entendeu muito bem velho. O moleque conhece tudo do Merda e a gente se entendia. Uma das músicas do jogo, naquela hora que há a transformaçao dos monstros, não estava casando bem, estava um sambinha. Eu falei com ele, pedi pra ele procurar algo mais tenso, e ele encontrou a introduçao da música "eu te odeio II", ou seja, ele tava completamente por dentro. O próximo jogo vai ser o Motoqueiro Doido, todo inspirado nos Pedrero, esse vai ter um som midi (igual do atari). A ideia foi do mobral também, mas agora eu já estou ajudando ele a criar os detalhes, tipo, matar nenem ganha x pontos, matar velha ganha tanto, beber gasolina, etc e por ai vamos.

O jogo está disponível para download ou só pode ser jogado no site da laja? Ele pode vir como bonus de futuros lançamentos da banda?
Por enquanto a ideia é fazer ali no site um mini portal de games de bandas da Laja, sem nenhuma pretenção de acontecer nada com isso, mas se a gente ficar milionário, vai ser legal pra caralho.

Há alguma possibilidade dos jogos serem disponilizados para outras mídias, talvez celulares?
É uma boa ideia, ja tivemos, mas é uma outra tecnologia, mas não é impossivel não. A gente quer colocar esse jogo pra download em outro sites também, talvez atraves de parcerias o jogo possa ser jogado em outro lugar, veremos.

Para jogar, clique aqui.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

XVII Festival de Hardcore de São Paulo é do Confronto


Há 10 anos acontece o Festival de Hardcore de São Paulo. São dois dias de punk-hardcore-metal que agitam a galera hardcore de vários estados brasileiros. Um bom local para reencontrar os amigos do rock espalhados pelo país afora.
Este ano estive presente no primeiro dia de show. Vi os shows das bandas Red Dons, dos Estados Unidos; I Shot Cyrus, em seu show de despedida e o Confronto. Para o dia, todos os ingressos haviam sido vendidos antecipadamente. De acordo com a organização havia no local mais de mil pessoas entre público, bandas, convidados e organização.
O Red Dons veio de Portland, toca um punk rock bonitinho e bem trabalhado. Os músicos subiramm no palco vestidos, digamos, meio que Strokes. O show foi bom, mas não gosto muito da banda. Já havia assistido ao show deles no Rio de Janeiro. São bons músicos, mas o poder de criação um pouco limitado. As músicas são muito parecidas. Porém, parece que o púbico discordou de mim e fez a festa no show com muito pogo.
Na sequência, uma palestra que não me interessou muito. Fui trocar idéia com os amigos e esperar pelo show do I Shot Cyrus. Foi o último show depois de 11 anos de estrada. Muita gente foi para vê-los e tentar descobrir quem matou Cyrus. Saíram de lá sem a resposta. Mas com a certeza de que valeu a pena conferir o show. Enquanto os membros da banda arrumavam seus instrumentos as pessoas iam se aglomerando na frente do palco.
Tudo pronto, acordes soando e a porrada em cima do palco começou, na frente dele também. As pessoas correram para o mosh e circle pit, parecia uma mar de gente indo para frente. Foram feitos muitos agradecimentos, pessoas pedindo para a banda não acabar e muitas loucuras nos stage dives. Pessoas subiam em cima dos PA's e se jogavam no pessoal do gargarejo. A banda fez um set list especial. Abriram um tópico em sua comunidade do Orkut e escolheram as músicas mais votadas.
Durante o show, membros de outras bandas que começaram junto com o Cyrus e fizeram muitas gig's juntos, fizeram participações. O palco toda hora era invadido e em certos momentos era impossível ver algum integrante da banda no palco, devido a quantidade de pessoas que estavam por lá.
Quando o show terminou, pensei comigo. Vai ser difícil o Confronto fazer um show mais energético que esse. Pois é, me enganei. Em pouco tempo tudo pronto e a luz do galpão foi apagada. Microfonia da guitarra e barulho de pratos. O vocalista, Chehuan, gritou: "Confronto 2009. Dez anos. Sactuarim! Vamos ae Jabaquara!" Os presentes começaram a gritar. Logo já tocaram o hit do novo álbum, Sanctuarim das Almas, que foi cantado em coro. E assim foi em todas as músicas.
Da parte do público, fora toda a insanidade, muitos rostos sangrando, alguns braços e ombros quebrados e deslocamentos. Posso dizer que a integração do público com a banda foi o dobro, o triplo; ou sabe-se lá que classificação numérica pode se dar para aquilo; do show do Cyrus.
Nunca tinha assistido show do Confronto na Terra da Garoa. Sempre me falaram que beira o absurdo. Neste dia pude comprovar isso e constatar que em São Paulo, no Jabaquara, Confronto é Rei! Dia 25 de abril a banda vai gravar seu primeiro dvd no mesmo local, e não poderia haver lugar melhor e com o público mais afinado. 2009, pelo que tudo parece, vai ser deles.

Foto I S Hot Cyrus por DAIGO OLIVA: http://www.flickr.com/photos/daigooliva

Foto Confronto por MAURÍCIO SANTANA: http://www.flickr.com/photos/tuxhc/



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ele venceu a Copa do Mundo


Obama venceu as eleições do Estados Unidos e todo mundo percebeu que os veículos de imprensas brasileiros e mundiais trataram a vitória do democrata como se houvesse ganhado a copa do mundo. Pois bem, ele ganhou mesmo. A partir do dia 20 de janeiro ele será o homem mais poderoso do mundo, todos os holofotes da mídia estão em cima dele desde já.

Só por isso merecia um clima de “oba oba”. Agora, não só por isso o mundo vibra. Não esqueçam que está próximo do fim um dos ciclos que mais fizeram mal a humanidade. Terminará em poucos dias a impopular “Era Bush”, oito anos de muita tormenta política e movimentação bélica.

Caso McCain fosse eleito o alarde com certeza seria menor. McCain vencer seria a continuação de uma política impopular e certeza da continuação da guerra que com a crise econômica ficará cada vez mais complicada de ser mantida. Por mais que muitos odeiem os Estados Unidos, é impossível negar que o que acontece lá tem influência aqui e ali, em todos os lugares.

A vitória de Obama marca uma transição que o mundo deseja há tempos. Para começar ele é negro. Para os liberais de sociedades pseudopluralistas isso pode não significar muito coisa, mas eu sinceramente não me lembro de nenhum presidente negro fora de algum país etnicamente negro. E esse fato acontecer logo nos EUA, onde o racismo é vivo e atuante, impressiona muita gente. Obama possui um tom conciliador e está disposto a conversar com bases declaradamente inimigas, como Irã e Venezuela.

Essa eleição foi tão significativa que vou mostrar em números. De acordo com o jornalista Rafael Barifouse, da Época Negócios, o jornal New York Times vender todas os seus exemplares com a vitória de Obama na capa, isso porque eles circularam com uma tiragem 35% maior. Após isso, eles providenciaram a reimpressão de mais 50 mil exemplares que também foram todos vendidos. A procura pelo jornal é tanto que já está rolando leilão no eBay. O preço do jornal nas bancas é U$1,5 e está sendo vendido na internet por U$20,5

Não sou cabo eleitoral de Obama e sei que ele não é o enviado do céu para salvar a humanidade. Esse texto é claramente uma declaração de alívio por saber que Bush vai sair da Casa Branca e que o homem que irá substituí-lo não seguirá a sua linha de (falta de) raciocínio. Estou certo de que haverá mudanças, não agora, mas a longo prazo. Não sei quais eles serão, pode ser até que sejam piores do que Bush promoveu, mas fica aqui a esperança.

E outra, sou jornalista, então deixem a imprensa em paz, Obama eleito presidente é PAUTA ATÉ DEPOIS DO CARNAVAL!!!!!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A FEB E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


O INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL




O conflito mais sangrento de todos os tempos começou, teoricamente em 1939. Mas já era arquitetado, desde 1919, quando foi assinado o Tratado de Versailles, no dia 28 de junho. Tratado o qual desagradou vencedores e vencidos. Os derrotados tiveram seus territórios divididos de forma irregular, tanto, étnica como geograficamente. Alguns, como Turquia e Hungria, foram mutilados. E para completar o Império Austro-Húngaro foi extinto. O descontentamento maior da parte dos vitoriosos ficou por conta da Itália. O país não obteve todos os benefícios que achava que merecia.

O país mais afetado foi à Alemanha. As 34 cláusulas do documento traziam medidas e exigências exageradas. O país foi obrigado a desocupar a Bélgica, Luxemburgo e França, precisou reduzir seu exército a cem mil soldados, entregou milhares de veículos, terrestre e marítimos, em perfeito estado para os aliados e sua força aérea foi abolida com a entrega de 1700 aviões aos inimigos.

Essas duras atitudes fizeram com que o economista inglês John Maynard Keynes, citasse em seu livro "As Conseqüências Econômicas da Paz"¹ , de 1919, que a próxima guerra seria questão de tempo devido às retaliações aplicadas à Alemanha. O principal foco de sua crítica foi à indenização de 33 bilhões de dólares, que os alemães teriam que pagar. Kaynes duvidou que o país tivesse condições de quitar a dívida. Essa pendência econômica faria com que os germânicos enfrentassem uma crise internar com desemprego e desvalorização da moeda, o que aconteceu, gerando assim uma insatisfação muito grande do povo e exacerbando o nacionalismo.

A recém-formada União Soviética se sentia marginalizada em relação aos outros países europeus, assim como a Alemanha. Para Stálin, o Tratado de Versallies era apenas uma trégua. A Alemanha, dizia ele, não poderia continuar a aceitar tamanhas limitações e condições aviltantes. O Tratado de Versailles proibia o rearmamento alemão. Os germânicos e soviéticos firmaram acordos secretos que permitiam as Forças Armadas Alemães (Wehrmach) a fazer testes com novos armamentos e treinar soldados na União Soviética.

Hitler, em 1923, tentou dar um golpe de estado e foi preso, passando 13 meses em cárcere. Durante esse período, o futuro líder da Alemanha escreveu seu livro, chamado Mein Kampf (Minha Luta). Seu conteúdo era tão arbitrário quanto contundente. Nele, o autor expunha todo o ideal do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. No ano em que foi publicado, 1925, o livro já tinha vendido 1,5 milhões de exemplares. Nesse momento para Hitler chegar ao poder era preciso pouco.

Excelente orador, Hitler se tornou Fünher em 1933. Logo, suspendeu todos os direitos civis, dissolveu partidos políticos e sindicatos. Também se iniciou uma caça aos judeus, inaugurando em 23 de abril de 1933 o primeiro campo de concentração, em Dachau.

Hitler possuiu a patente de cabo durante a primeira guerra e mantinha aceso dentro de si o desejo de vingança. Em 1º de setembro de 1939 a Alemanha atacou militarmente a Polônia - que antes do Tratado de Versallies era território alemão - alegando violação de fronteiras. Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha por violarem o tratado. Em menos de um ano os alemães já possuíam tropas na Polônia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda e França.

Japão e Itália se aliaram a Alemanha em 1936 e 1937, respectivamente, quando assinaram o Pacto Anti-Comunista. Posteriormente em 27 de setembro de 1940, assinaram o Pacto Tripartidarista, que fez das três potências um triângulo forte.

A França se viu obrigada a assinar um armistício com os alemães em 22 de junho de 1940. Enquanto a Inglaterra viu-se desalojada de suas bases nos continentes, sendo forçosamente recluída a suas ilhas. Seus adversários Alemanha e Itália multiplicavam suas bases, porém os ingleses conseguiram oferecer resistência. Após feitos admiráveis dos britânicos os Estados Unidos resolveram auxiliar a Inglaterra e entrar na guerra.

O pacto entre Alemanha e União Soviética acabou quando em 22 de junho de 1941 os alemães promoveram a cruzada européia contra o comunismo. Alguns países que tinham pendências com os soviéticos fosse ideológica ou fronteiriça como Finlândia, Romênia e Hungria, auxiliaram a Alemanha nessa invasão.

Hitler queria vingar a Alemanha da vergonha e humilhação sofridas em decorrência da primeira guerra mundial. O seu desejo era dominar o mundo. Alguns historiadores e pesquisadores alegam que havia planos de implantar resistência nazista na Argentina. Mesmo com essa base não tendo sido construída o Brasil foi afetado diretamente pela guerra. Submarinos alemães afundaram navios brasileiros na costa nordestina. O presidente Getúlio Vargas, apesar de ser simpático ás idéias nazi-fascistas, declarou guerra ao eixo.


O BRASIL DECLARA GUERRA


O Brasil cortou relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão em 28 de janeiro de 1942 durante a Reunião dos Chanceleres do Rio de Janeiro. Até então, a Alemanha era a maior exportadora de produtos manufaturados para o Brasil. Getúlio Vargas firmou com o terceiro Reich um acordo comercial que desagradou bastante os americanos, já que, o Brasil comprava mais dos alemães. Em 1938 as importações nacionais eram 25% provenientes da Alemanha e 24,2% dos Estados Unidos.

O presidente americano Franklin Roosevelt, sabendo da importância estratégica do Brasil, suportou pressões de empresários contrários à decisão do Brasil e aumentou a pressão diplomática em cima do país sul-americano. Vargas aos poucos foi se bandeando para o lado dos aliados e gradativamente os americanos ganharam espaço em nosso país.

Em 1942 o presidente brasileiro autorizou que fossem construídas bases americanas, aéreas e navais, no nordeste. O esquadrão naval VP-52 ficou lotado em Natal, a 3ª Força-Tarefa americana se transferiu para o Brasil. Sua Função era atacar submarinos e navios mercantes que tentassem trocar mercadorias com o Japão. Em troca os Estados Unidos montaram a primeira siderúrgica brasileira na cidade de Volta Redonda no Rio de Janeiro.

Desde o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha até julho do mesmo ano, nada mais do que 13 embarcações brasileiras foram abatidas com cerca de 100 tripulantes mortos. Getúlio Vargas considerou os atentados como inerentes e preferiu não tomar nenhuma medida.

A população brasileira não manteve a mesma passividade do presidente, cobravam a entrada do Brasil na guerra. Opositores de Getúlio acreditavam que sua decisão de se manter neutro no conflito cabia ao fato de que seria uma contradição muito grande um governo autoritário que mantinha restrições ao povo lutar pela democracia.

Getúlio teve que sair de cima do muro em agosto de 1942. A versão oficial dos fatos, diz que no dia 15 o submarino alemão U-507 atingiu o navio brasileiro Baepensy em Maceió, matando 270 pessoas. Minutos mais tarde o mesmo submarino abateu o navio Araraquara deixando 131 pessoas sem vida. Sete horas depois o U-507 bombardeou o Aníbal Benevolo, 83 passageiros e 67 tripulantes faleceram.

Em aproximadamente oito horas o submarino Alemão matou 541 pessoas e diminuiu em três navios a frota naval brasileira. A carnificina não parou por aí, dois dias depois o U-507 voltou a atacar afundando o Itagiba, assassinando 36 pessoas e o Arará onde 20 tripulantes morreram.

Diante de tais acontecimentos, Vargas cedeu. No dia 22 de agosto de 1942 foi decretado Estado de Beligerância. A população enfurecida pelos torpedeamentos pedia mais e fortaleceram a campanha a favor da entrada do Brasil no conflito na Europa. Então, em 31 de agosto foi decretado Estado de Guerra contra Alemanha e Itália. Durante os meses seguintes mais 19 navios mercantes brasileiros foram abatidos. A Força Aérea Brasileira impediu que outros navios fossem atacados desempenhando um importante papel protegendo toda a costa atlântica da América do Sul.

Conversas sobre o envio de um contingente brasileiro a Europa foram iniciadas. Vargas desejava criar uma força expedicionária para auxiliá-lo em dois aspectos: fortalecer internamente as Forças Armadas visando garantir maior tempo de apoio dos militares a sua ditadura e assegurar uma posição com relevante significação para o Brasil no cenário internacional.

Os Estados Unidos haviam prometido fornecer material bélico para o Brasil. Em janeiro de 1943 Roosevelt visitou a cidade de Natal, aproveitando a oportunidade Vargas insistiu para que o país recebesse as armas para que começasse a atuar ativamente nos combates.

Após certa demora, Washington liberou o material bélico para os brasileiros. Assim, os brasileiros começaram a sua movimentação até concluírem a estruturação da Força Expedicionária Brasileira em agosto de 1943. Para comandar as tropas no período de guerra o governo convocou o general Mascarenhas de Morais.


O BRASIL SE PREPARA E VAI PARA A LUTA


No início de março de 1943, o presidente Getúlio Vargas aprovou proposta do ministro de Guerra, general Eurico Dutra, sugerindo a criação da força expedicionária, mas condicionando-a ao recebimento do material bélico necessário inclusive para as tropas que garantiriam a defesa do território brasileiro. A proposta concretizou-se em 9 de agosto, através da Portaria Ministerial nº 4744, publicada em boletim reservado no dia 13 de agosto de 1943, que criou a Força Expedicionária Brasileira, formada pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e órgão não-divisionários. Sua chefia foi entregue ao general João Batista Mascarenhas de Morais.

A 1ª comandada por um general-de-divisão, deveria compreender: um quartel-general constituído de estado-maior, estado-maior especial e tropa especial; uma infantaria divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de três regimentos de infantaria; uma artilharia divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de quatro grupos de artilharia (três de calibre 105 e um de calibre 155); uma esquadrilha de aviação destinada à ligação e à observação; um batalhão de engenharia; um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento, e uma companhia de transmissão. A tropa especial, além de um próprio comando, deveria incluir i comando do quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia do quartel-general, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e uma banda de música.

A estruturação da FEB propriamente dita teve início com o envio de oficiais brasileiros aos Estados Unidos, para treinamento. Tratava-se de familiarizá-los com os métodos e táticas militares empregadas pelas tropas norte-americanas, substituindo os franceses, já ultrapassados, que ainda predominavam. Esses oficiais permaneceram por três meses na Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth.

No final de 1943 decidiu-se o destino da FEB: o teatro de operações do Mediterrâneo. Os poucos meses decorridos até o início do embarque das tropas foram gastos com planejamento das ações e treinamento. Finalmente na noite de 30 de junho, embarcou o 1º escalão da FEB, composto por cerca de cinco mil homens chefiados pelo general Zenóbio da Costa. Junto com eles, o general Mascarenhas de Morais e alguns oficiais de seu estado-maior. Em setembro, foi a vez do 2º e 3º Escalões, comandados respectivamente pelos generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Olímpio Falconiére da Cunha. Até fevereiro de 1945, dois outros escalões chegariam à Itália, juntamente com um contingente de cerca de 400 homens da Força Aérea Brasileira, estes comandados pelo major-aviador Nero Moura. Ao todo, a FEB contou com um efetivo de um pouco mais de 25 mil homens.

Na Itália, a FEB uniu-se ás tropas do V Exército norte-americano integrante do X Grupo de Exércitos Aliados. Nesse momento, o objetivo das tropas aliadas ali sediadas era impedir o deslocamento alemão para a França, onde se preparava a ofensiva final aliada. Era necessário, assim, manter o exército alemão sob constante pressão. As primeiras vitórias brasileiras ocorreram em setembro de 1944, com a tomada das localidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. No início do ano seguinte, os pracinhas participaram da conquista de Monte Castelo, Castelnuove e Montese. O conflito, no entanto, não se estendeu por muito mais. A 2 de maio, o último corpo do exército alemão na Itália assinou sua capitulação, e a 8, a guerra na Europa chegava ao fim, com a rendição definitiva da Alemanha.


OS TRIUNFOS NO CAMPO DE BATALHA


A missão mais importante que coube à FEB foi, sem dúvida, a tomada de Monte Castelo. A elevação, dominada pelos alemães, era uma posição estratégica que impedia o 4º Corpo de Exército de prosseguir a marcha até Bolonha, objetivo maior do comando das Forças Aliadas na Itália. No dia 24 de novembro de 1944 foi feita a primeira ofensiva. Depois de se apoderarem do monte Belvedere, ao lado de Castelo, os brasileiros sofreram uma violenta contra-ofensiva alemã que os obrigou a abandonar as posições já conquistadas. No dia 29 os Aliados iniciaram a segunda ofensiva a Monte Castelo, igualmente barrada pelos regimentos de infantaria alemães. No dia 12 de dezembro iniciou-se o também frustrado terceiro assalto dos expedicionários brasileiros a Monte Castelo, que não durou mais de cinco horas. Mesmo assim, as vanguardas da FEB conseguiram chegar além da metade do caminho programado.

O daí 19 de fevereiro de 1945 foi a data estabelecida pelo comando do V Exército para o início de nova ofensiva, que ficaria conhecida como Operação Encore. Nela seriam empregadas todas as forças do 4º Exército, visando a expulsar o inimigo do vale do rio Rena e persegui-lo até o vale do rio Panaro. A missão dos brasileiros seria desalojar os alemães de Castelnuovo de Vergato, do Monte Soprassasso e, mais uma vez, de Monte Castelo. A grande vitória finalmente ocorreu em 21 de fevereiro.

Para o coronel Manoel Thomaz Castello Branco, oficial de comunicações do 1º Regimento da Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, a tomada de Monte Castelo foi mis do que só uma manobra militar bem-sucedida. “Com a conquista de Monte Castelo, esse sedento feito, a FEB saldou um de seus mais sérios compromissos na Itália, pelos aspectos morais que encerrava. O Monte Castelo já não era mais um simples objetivo a conquistar, mas um desafio a enfrentar e uma vingança a executar, cujo desfecho ou seria a consagração apoteótica ou a ruína acabrunhadora” ². Orgulhosamente ficamos com a primeira opção.

Do início de março a meados de abril de 1945 houve um período de menor número de operações. O comando aliado organizava, então, o plano final da campanha da Itália, a chamada Ofensiva de Primavera, destinada a levar com rapidez à derrota definitiva das tropas italianas e alemães. Foi estabelecido que caberia a FEB seguir na direção de Vignola, o que veio a acarretar os vitoriosos ataques a Montese e Zocca. A partir dessas vitórias iniciou-se a perseguição aos alemães que batiam em retirada. Seguiam-se o cerco a Colecchio, Fornovo di Taro, a rendição de divisões inimigas e a corrida para o vale do Pó. Prosseguindo em direção a Turim, os brasileiros ocuparam a cidade de Alessandria, em 20 de abril. De 8 de maio, data da rendição da Alemanha, até 3 de junho a FEB foi empregada na ocupação militar do território conquistado e começou a preparar o seu retorno ao Brasil.


MEMÓRIAS DE QUEM LUTOU E VENCEU


O presente trabalho desde seu início se propôs a buscar informações veiculadas na mídia para realizar em cima delas a pesquisa para a dissertação. Infelizmente a imprensa não deu muito valor para as tropas brasileiras no campo de batalha. Não identificamos nenhum repórter que tenha sido deslocado para os campos de batalha para ser correspondente e trazer notícias para nossa população. Os veículos compravam matérias de agências de notícias que tratam da guerra com o olhar americano.

Todas as informações sobre a FEB contidas no trabalho foram retiradas de livros escritos por ex-combatentes que relataram suas experiências e memórias. Esses relatos nos trazem a realidade do dia-a-dia no front de batalha. Agostinho José Rodrigues, tenente de infantaria à época dos combates escreveu em seu livro sua sensação ao entrar em conflito “Início de tarde. Estamos na “HORA H” – menos dez. Isto é, em dez minutos começa a descida dos pracinhas do Onze pelas ravinas, em direção ao vale. E, aí, estremecerá o front ante o berro ensurdecedor do canhão. E o crá-crá ritmado e contínuo da metralhadora. Mais do que da nossa, da “Lourdinha”. E, também, o chio seco do morteiro. Dos balaços que passam riscando o ar. Trajetórias que se cruzam e se confundem. Chio grosso. Chio fino. E principiamos a contar: “Essa é nossa. Essa é deles...”. Então, sentiremos aquele friozinho gélido a arrepiar a espinha. Dá para prever a sintonia de sons estranhos, cujos acordes ficam a repicar anunciando que começou a grande matança” ³.

A guerra não era apenas feita de combates sangrentos e constantes. As tropas se mantinham no ostracismo por semanas. Ainda no livro de Agostinho José Rodrigues, está registrado “Radiosa manhã. Sol constante. Nuvem alguma encobre o céu. Os canhões permanecem mudos como nas últimas semanas, nesta frente. Patrulheiros vasculham a terra de ninguém e, normalmente, regressam sem novidades” 4. De fato, era assim em todas as frentes de batalha. A falta do que fazer e a ausência de informações da guerra e da família eram os inimigos cotidianos soldados brasileiros.

Para solucionar essa situação, assim escreveu o general Ernani Ayrosa da Silva “Não há dúvida de que os recursos materiais, o preparo dos soldados e a bravura pessoal, geralmente, conduzem a vitórias retumbantes; mas o dia-a-dia do combatente é vencido pela malícia, pela imaginação e por ações de efeito psicológico, levando mais vantagem o mais engenhoso, o mais imaginativo” 5.

E os brasileiros, realmente eram criativos. Em meio ao inverno “nas horas de folga, nosso comandante estimulava a disputa de partidas de futebol. Ele não jogava mas escalava o capitão Sabrosa para o time mais fraco e ficava ao lado do campo gritando: " Ô tchê, passa a bola para o capitão!" e em seguida gritava para os jogadores do time contrário: "Dá duro nele!" Quando o capitão Sabrosa chiava das entradas mais viris e queria dar uma chave de galão o comandante gritava: "Não reclama não, isto é jogo para homem!" 6.

O inverno rigoroso castigou todos os pracinhas, assim relata o sargento João Rodrigues Filho “Passei lá também por momentos muito difíceis! Em pleno inverno, com temperaturas que chegavam até 12 graus negativos, acordávamos mais ou menos as 06:00h, ainda escuro , para irmos fazer o "pre-fligth" nos aviões P-47. Íamos das barracas até a pista a pé, caminhando em valas com gelo (água congelada), e não tínhamos sequer um agasalho! Usávamos os cobertores para nos enrolarmos neles para nos aquecermos. Chegávamos aos aviões e eles estavam cobertos de gelo! Nós, os mecânicos dos aviões, usávamos vassouras para varrer o gelo que havia sobre as asas e o "canopy". Fazíamos o "pre-flight" às 07:00h. A forte neblina (nevoeiro) impedia que os vôos se iniciassem antes das 11:00h! O pior é que nossos vizinhos, os americanos, dos outros esquadrões começavam o "pre-flight" às 09:00h ou 09:30h!” 7


O BRASIL APÓS A GUERRA


A participação no esforço de guerra aliado e, principalmente o envio da FEB ao front italiano, em 1944, levaram o governo brasileiro a supor que o país teria um papel importante a desempenhar nas negociações de paz pós-guerra, na qualidade de potência associada e aliado especial dos Estados Unidos. A reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU transformou-se assim em meta prioritária da diplomacia brasileira, embora as negociações relativas ao formato da nova organização tenham ficado desde o início restritas ás grandes potências participantes das conferências aliadas.

O presidente Roosevelt chegou a defender a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU de forma a acomodar um país latino-americano, possivelmente o Brasil, também é verdade que a proposta foi logo posta de lado diante da oposição da Grã-Bretanha e da União Soviética. Isso não impediu, contudo, que o governo brasileiro continuasse a alimentar esperanças, realizando sucessivas consultar ao governo norte-americano. As respostas deste último eram vagas e ambíguas, o que mantinha vivo nas autoridades brasileiras um sentimento de prestígio, ainda bastante útil na manutenção da aliança Brasil-Estados Unidos. A visita ao Brasil, em fevereiro de 1945, do secretário de Estado norte-americano Stettinius constitui o exemplo mais significativo de forma como Washington alimentava as pretensões diplomáticas brasileiras a fim de obter concessões de natureza econômica e militar. Na ocasião, Stettinius garantiu a renovação de acordos para fornecimento de material atômico brasileiro aos Estados Unidos, naquele momento crucial para a fabricação da bomba atômica.

Compreendendo finalmente que o assento permanente no Conselho de Segurança estava fora de questão, o Brasil concentrou-se, a partir da criação da ONU da conferência de São Francisco, em junho de 1947, na candidatura a um assento não-permanente para o qual foi eleito em 1947.
A FEB perdeu 545 soldados que durante muitos anos no cemitério de Pistóia, na Itália. Em outubro de 1960, suas cinzas foram transferidas para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, erguido no Rio de Janeiro, no recém-criado aterro do Flamengo. Sua participação no conflito foi importante pois tornou evidente a contradição vivida pelo Estado Novo, que enviava tropas para lutar pela democracia no exterior, mas internamente mantinha um regime ditatorial. O retorno dos contingentes da FEB precipitou, assim, a queda de Vargas em 1945.

NOTAS


(1) O Globo, o globo 2000/16, pg: 328
(2) Veja, especiais online, segunda guerra, 2003
(3) RODRIGUES, Agostinho José. Terceiro Batalhão – O lapa Azul. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985 pg 138
(4) RODRIGUES, Agostinho José. Terceiro Batalhão – O lapa Azul. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985 pg 45
(5) DA SILVA, Ernani Ayrosa. Memórias de um Soldado. Rio de Janeiro: Bilbiex, 1985 pg 65
(6) FILHO, João Rodrigues, www.sentandoapua.com.br/joomla
(7) Idem 6.